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Rachas na direita catarinense expõem fragilidade estratégica e abrem janela para avanço da esquerda nas eleições de 2026

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Rachas na direita catarinense

Por Redação: Agnaldo Silva – Especial Eleições 2026


Rachas na direita catarinense: Após meses de articulações silenciosas nos bastidores da política catarinense, o cenário eleitoral para 2026 começou a ganhar contornos mais definidos — mas não necessariamente mais estáveis. Entre outubro de 2025 e o início de março de 2026, lideranças políticas, pré-candidatos e eleitores aguardavam com expectativa o posicionamento do governador Jorginho Mello sobre a composição da chapa majoritária ao Senado.

A definição finalmente veio: o chefe do Executivo catarinense declarou apoio à deputada federal Caroline de Toni e ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, consolidando duas pré-candidaturas dentro do Partido Liberal (PL), que possui direito a apenas duas indicações ao Senado. A decisão, no entanto, deixou o senador Esperidião Amin em uma posição incerta, gerando desconforto em setores tradicionais da política estadual.

Mas se por um lado a definição dos nomes parecia encerrar um ciclo de indefinições, por outro, abriu uma nova e mais complexa fase: a fragmentação interna da direita catarinense.

Rachas na direita catarinense expõem e disputas internas

Nos bastidores, o que se observa é um cenário de divisão crescente entre partidos historicamente alinhados no campo conservador. Siglas que por décadas caminharam juntas em Santa Catarina agora enfrentam disputas internas, desalinhamentos estratégicos e até conflitos públicos entre lideranças.

Essa desarticulação não se limita apenas às divergências sobre nomes para o Senado. Ela se estende à formação das chapas proporcionais, especialmente para deputados estaduais e federais, onde a disputa por espaço, recursos e protagonismo tem acirrado ainda mais os ânimos.

Pré-candidatos que aguardavam uma construção mais coesa agora se veem diante de um ambiente de incerteza, onde alianças podem ser desfeitas de forma repentina e novos arranjos políticos surgem quase diariamente.

Janela partidária intensifica tensão

A situação ganha contornos ainda mais delicados diante do calendário eleitoral. Desde o dia 5 de março, está aberta a janela de migração partidária autorizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), período em que parlamentares podem trocar de partido sem risco de perda de mandato.

O prazo se estende até 3 de abril de 2026 — uma data que tem funcionado como verdadeiro gatilho para movimentações intensas nos bastidores. Já o dia 4 de abril marca o limite para que pré-candidatos estejam com filiação partidária regularizada e domicílio eleitoral definido na circunscrição em que pretendem concorrer.

Esse curto intervalo de tempo tem pressionado lideranças a tomarem decisões rápidas, muitas vezes sem o amadurecimento político necessário, o que contribui para ampliar ainda mais os rachas existentes.

A oportunidade da esquerda

Enquanto a direita enfrenta suas turbulências internas, partidos de esquerda observam o cenário com atenção estratégica. A fragmentação do campo conservador abre uma janela rara de oportunidade: atrair lideranças insatisfeitas, especialmente aquelas que se sentem preteridas nas composições atuais.

Nos bastidores, já há movimentações para cooptar pré-candidatos desalinhados, oferecendo melhores condições eleitorais, maior protagonismo ou simplesmente estabilidade política — algo que, neste momento, parece escasso em determinados setores da direita.

A estratégia é clara: aproveitar o enfraquecimento momentâneo do adversário para ampliar sua base e se reposicionar no tabuleiro eleitoral catarinense, historicamente dominado por forças conservadoras.

Um tabuleiro em aberto

Com o prazo da janela partidária se aproximando do fim, o cenário em Santa Catarina permanece longe de qualquer definição sólida. As escolhas feitas até aqui, especialmente no campo majoritário, desencadearam efeitos colaterais que agora se manifestam em forma de divisões, incertezas e reconfigurações políticas.

Se por um lado a direita ainda mantém força significativa no estado, por outro, a falta de unidade pode custar caro nas urnas. E, nesse contexto, a esquerda enxerga uma oportunidade concreta de crescimento — talvez a mais significativa dos últimos anos.

O que se desenha, portanto, é uma disputa não apenas entre campos ideológicos, mas dentro deles. E, como mostra a história recente, eleições não se vencem apenas com força — mas com articulação, unidade e estratégia. Em Santa Catarina, pelo menos até agora, esses elementos ainda estão em disputa.

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