TRÁFICO DE AVES: Mais uma importante ação de combate ao tráfico de animais silvestres foi realizada pela Delegacia de Investigações sobre Infrações contra o Meio Ambiente (DICMA), de Diadema (SP). A operação, coordenada pelo delegado Dr. Neliton Marques Cabral e executada por agentes especializados da unidade, resultou na apreensão de dezenas de aves mantidas de forma irregular por um criador amador cadastrado junto ao IBAMA.
Segundo informações repassadas pelo agente policial Sidney Santos, o tráfico de animais silvestres é atualmente uma das atividades criminosas mais lucrativas do mundo, ficando atrás apenas do tráfico de drogas e à frente do comércio ilegal de armas em movimentação financeira.
“Existem aves que chegam a ser comercializadas por valores altíssimos. Já tivemos conhecimento de pássaros negociados por até uma caminhonete. É um mercado clandestino extremamente lucrativo e que movimenta milhões de reais todos os anos”, explicou o policial.
A operação ocorreu no dia 8 de junho. Durante aproximadamente dez horas de fiscalização, das 9h30 às 19h30, a equipe realizou uma minuciosa análise ave por ave e anilha por anilha no criadouro fiscalizado.
Embora o cadastro do proprietário junto ao IBAMA apontasse a posse de cerca de 80 aves, a equipe localizou apenas 38 exemplares no local. Agora, o responsável deverá prestar esclarecimentos sobre o paradeiro das demais aves registradas.
Entre os animais encontrados predominavam Bicudos e Coleirinhas, espécies frequentemente visadas pelo comércio ilegal devido ao seu alto valor de mercado. Alguns exemplares dessas aves podem alcançar valores entre R$ 6 mil e R$ 8 mil, dependendo das características genéticas e do histórico de reprodução.
Com o apoio de uma especialista em identificação de anilhas, a equipe constatou a existência de uma anilha falsificada e encontrou ainda 11 aves sem qualquer registro legal, situação que reforça os indícios de introdução irregular de animais oriundos do tráfico.
As investigações também identificaram um casal de papagaios cuja documentação apresentou fortes indícios de fraude. O criador apresentou uma nota fiscal supostamente emitida por uma loja zoológica localizada na Marginal Tietê. Entretanto, a empresa havia encerrado suas atividades em 2007, enquanto a nota apresentada possuía data de emissão de 2010.
Para os investigadores, o caso demonstra que até mesmo pessoas formalmente cadastradas nos órgãos ambientais podem recorrer à falsificação documental para tentar dar aparência de legalidade a aves provenientes do tráfico.
Outro detalhe que chamou a atenção dos especialistas foi a presença de rachaduras em algumas anilhas. De acordo com a análise técnica realizada durante a operação, esse tipo de dano é um dos indícios de adulteração, sugerindo que a anilha tenha sido manipulada para ser colocada posteriormente em aves retiradas da natureza.
Diante das irregularidades constatadas, todas as aves encontradas no local foram apreendidas e encaminhadas ao CEMACA – Centro Municipal de Atendimento e Conservação de Animais, onde receberão avaliação veterinária e acompanhamento especializado.
A falsificação ou adulteração de anilhas oficiais pode configurar crime previsto no Artigo 296 do Código Penal Brasileiro, que trata da falsificação de selo público ou sinal público destinado à autenticação de atos oficiais.
Sidney Santos destacou ainda que o sucesso das operações depende da integração entre policiais ambientais, especialistas em identificação de anilhas e centros de reabilitação de fauna.
“Nossa equipe trabalha em conjunto com analistas especializados que conseguem identificar rapidamente quais anilhas são legítimas e quais foram adulteradas. Essa parceria é fundamental para combater o tráfico de animais silvestres e responsabilizar os envolvidos”, afirmou.
A DICMA de Diadema tem se destacado pela atuação técnica e contínua no enfrentamento aos crimes contra a fauna, reforçando a importância da fiscalização especializada para proteger a biodiversidade brasileira e desarticular organizações que lucram com a retirada ilegal de animais da natureza.
A Rede Sul Brasil de TV acompanha e divulga, há anos, as ações de combate aos crimes ambientais desenvolvidas pela DICMA, contribuindo para a conscientização da sociedade sobre a importância da preservação da fauna silvestre brasileira.
Por Redação RSB TV
Jornalista: Agnaldo Silva
FONTE das Imagens e Ação policial: Delegacia de Investigações sobre Infrações contra o Meio Ambiente (DICMA), de Diadema (SP).