OPINIÃO – Quando um Festival perde sua identidade, perde também sua alma: Durante muitos anos, o Brasil foi exemplo para o mundo quando o assunto era criar grandes eventos culturais.
_ Não apenas grandes shows.
_ Mas Grandes experiências.
Cada festival possuía uma identidade própria. Um DNA. Uma personalidade que fazia milhões de pessoas viajarem centenas ou até milhares de quilômetros apenas para viver aquele momento.
Quem comprava um ingresso para o Rock in Rio sabia exatamente o que iria encontrar.
Quem viajava para Campina Grande ou Caruaru durante o mês de junho também sabia.
Não era apenas música.
- Era cultura.
- Era tradição.
- Era pertencimento.
Era a certeza de estar participando de algo construído por gerações.
Mas uma pergunta começa a ecoar entre muitos frequentadores desses grandes eventos brasileiros.
Estamos assistindo à evolução dos festivais… ou à perda de sua identidade?
Essa reflexão não é um ataque aos novos artistas.
Muito menos aos novos estilos musicais.
O Brasil é uma potência cultural justamente porque possui uma enorme diversidade de ritmos:
Rock. Forró. Samba. Sertanejo. MPB. Frevo. Maracatu. Piseiro.
Cada gênero possui sua história e seu público e sua importância.
O problema não está na existência de novos artistas.
O problema começa quando eventos criados para celebrar uma identidade passam, pouco a pouco, a substituí-la.
É justamente isso que muitos frequentadores têm apontado.
O Rock in Rio nasceu para celebrar o universo do rock.
- Foi esse espírito que transformou o festival em uma referência mundial.
- Foi esse espírito que atraiu gerações de fãs.
- Foi esse espírito que construiu sua marca.
Da mesma forma, o São João de Campina Grande e o de Caruaru não se tornaram gigantes apenas porque possuem grandes palcos.
Eles cresceram porque representam uma das manifestações culturais mais importantes do Nordeste brasileiro. Ali vivem:
- A sanfona.
- O triângulo.
- A zabumba.
- As quadrilhas.
- As comidas típicas.
- Os costumes.
- A memória afetiva de milhões de brasileiros.
Isso sim é patrimônio cultural.
Nos últimos anos, porém, cresce a percepção de que alguns organizadores passaram a priorizar outra lógica.
- A lógica do momento.
- A lógica dos números.
- A lógica dos artistas mais populares nas plataformas digitais.
- Independentemente do gênero musical.
- Independentemente da identidade do evento.
E é justamente aí que nasce a inquietação:
Será que tudo precisa caber em qualquer palco?
Será que todo artista precisa estar presente em qualquer festival apenas porque está vivendo o auge de sua carreira?
Ou será que cada evento deve preservar aquilo que lhe deu origem?
A discussão ganhou força novamente durante o São João de 2026.
Vídeos compartilhados nas redes sociais mostraram artistas interrompendo apresentações para comentar a pouca participação do público. Em muitos casos, a plateia parecia distante.
- Sem cantar.
- Sem dançar.
- Sem aquela conexão que tradicionalmente marca as festas juninas.
A cena provocou uma pergunta inevitável.
Será que o público estava rejeitando os artistas?
Ou simplesmente havia ido ao evento esperando encontrar outra experiência cultural?
Existe uma diferença enorme entre essas duas situações.
Talvez o público não estivesse dizendo “não” ao artista.
Talvez estivesse dizendo “sim” à tradição.
Porque quem procura um festival de rock quer viver o rock.
Quem visita o maior São João do Brasil deseja viver o forró.
Isso não significa excluir ninguém.
Significa respeitar a identidade que tornou aquele evento conhecido nacional e internacionalmente.
Imagine um restaurante que, durante cinquenta anos, tornou-se famoso por servir a melhor comida italiana da cidade.
Um dia, seus proprietários decidem retirar praticamente todas as massas do cardápio.
No lugar delas aparecem hambúrgueres, sushi, comida mexicana, churrasco e culinária oriental.
Pode ser que todos os pratos sejam excelentes.
Mas inevitavelmente surgirá uma pergunta.
Onde foi parar a Itália?
_ Ninguém está criticando o sushi.
_ Ninguém está criticando o churrasco.
O questionamento é outro.
O restaurante deixou de oferecer justamente aquilo que o tornou famoso.
Com os festivais culturais pode acontecer exatamente a mesma coisa.
Existe uma diferença entre evoluir e descaracterizar.
Evoluir é acrescentar novos capítulos à história.
Descaracterizar é apagar as páginas que fizeram essa história existir.
- A cultura brasileira sempre evoluiu.
- Sempre incorporou novidades.
- Sempre dialogou com diferentes gerações.
Mas preservou aquilo que lhe dava identidade.
Talvez esteja chegando o momento de ampliar esse debate.
Não apenas entre artistas.
Não apenas entre produtores.
Mas principalmente entre aqueles que compram ingressos, lotam arquibancadas, movimentam o turismo e mantêm vivos esses eventos há décadas.
Porque um festival não pertence apenas aos seus organizadores.
Ele também pertence à memória coletiva do povo.
Seu nome passa a representar muito mais do que uma marca.
- Representa uma história.
- Representa uma tradição.
- Representa um patrimônio cultural vivo.
E patrimônio cultural não se preserva apenas tombando prédios históricos.
Preserva-se respeitando sua essência.
A RSB TV acredita que toda manifestação cultural pode evoluir.
Mas também acredita que tradição não é sinônimo de atraso;
Tradição é identidade.
E identidade não se substitui por conveniência comercial.
Quando um festival perde sua identidade, talvez continue sendo um grande evento.
Mas corre o risco de deixar de ser aquilo que um dia emocionou milhões de pessoas.
Porque artistas passam.
As tendências mudam.
Os sucessos do momento também.
Mas a história…
A história merece ser respeitada.
E talvez seja justamente esse o maior espetáculo que o público espera encontrar quando compra um ingresso: o respeito à cultura que fez aquele festival nascer.
Aqui se Inicia, o que vamos começar a Defender: “A Proteção do Patrimônio Cultural Vivo”.
Você achou importante a linha de debate? Então vamos dá início, agora, a esta hashtag:
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