A situação da saúde pública no município de São José tem gerado revolta e preocupação entre moradores. Com uma população estimada em aproximadamente 270 mil habitantes, segundo dados do IBGE, a cidade, que integra a Grande Florianópolis, enfrenta um cenário que muitos cidadãos classificam como “entregue ao Deus dará”.
Historicamente vista como uma cidade estruturada, especialmente nas áreas de saúde e educação, São José vem sendo alvo de críticas por um suposto retrocesso nesses setores. A percepção de moradores é de que serviços antes considerados satisfatórios hoje apresentam falhas graves, impactando diretamente a qualidade de vida da população.
A equipe da Rede Sul Brasil de TV ouviu diversos cidadãos e profissionais ligados à rede pública de saúde. Os relatos são alarmantes: atendimentos médicos especializados estariam suspensos há meses, sem previsão de retorno. Usuários do sistema relatam dificuldades até mesmo para realizar exames básicos, como raio-X e procedimentos de rotina.
Segundo informações colhidas durante as entrevistas, o sistema responsável pelo agendamento de consultas e exames, conhecido como SISREG, teria sido suspenso pela administração municipal, agravando ainda mais o acesso aos serviços. Além disso, trabalhadores terceirizados que atuavam na área teriam sido desligados, contribuindo para a sobrecarga do sistema.
Nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), a situação também preocupa. Pacientes relatam longas esperas e falta de resolutividade. Muitos afirmam estar aguardando há meses por exames essenciais, o que pode comprometer diagnósticos e tratamentos.
Saúde Pública em São José: Atendimento nas UPAs ou No Hospital do Estado?
Diante da precariedade nos atendimentos municipais, agentes de saúde estariam orientando a população a buscar atendimento no Hospital Regional de São José, unidade administrada pelo Governo do Estado. No entanto, a alternativa também apresenta limitações. Há relatos de espera prolongada e atendimento não especializado, o que gera frustração e sensação de abandono.
“É sair do problema e cair em outro”, relatou um cidadão que buscou atendimento oftalmológico e aguardou por horas sem solução efetiva.
A insatisfação popular cresce diante da ausência de posicionamentos oficiais claros por parte da Prefeitura. Até o momento, segundo os entrevistados, não há prazos definidos para a normalização dos serviços de saúde no município.
Outro ponto levantado por moradores é a prioridade de investimentos. Enquanto a saúde enfrenta dificuldades, projetos voltados à infraestrutura urbana, como grandes obras viárias e iniciativas voltadas ao setor imobiliário e comercial, seguem avançando. Para parte da população, há um desalinhamento entre as prioridades da gestão e as necessidades básicas da comunidade.
Diante desse cenário, surgem movimentos que defendem maior mobilização popular, incluindo manifestações e ações coletivas, com o objetivo de pressionar o poder público por soluções urgentes.
Fontes também indicam que o Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina estaria acompanhando de perto possíveis irregularidades e falhas na gestão municipal, o que pode trazer novos desdobramentos nos próximos meses.
Enquanto isso, milhares de josefenses seguem enfrentando dificuldades no acesso à saúde, aguardando respostas e, principalmente, soluções concretas para um problema que impacta diretamente a dignidade e o bem-estar da população.
Redação: Agnaldo Silva – Jornalista RSB
Imagem: Modelagem IA