Na avaliação dos entrevistados, o período eleitoral representa uma oportunidade para que o setor apresente suas demandas aos candidatos ao Legislativo estadual e federal
Por Agnaldo Silva | Rede Sul Brasil de TV Online
SANTA CATARINA – Em um ano decisivo para a escolha dos novos deputados estaduais e federais, produtores rurais defendem que o fortalecimento do agronegócio brasileiro passe a ocupar posição de destaque no debate eleitoral. Para agricultores ouvidos pela Rede Sul Brasil de TV Online, o momento é considerado estratégico para aproximar o setor de candidatos que apresentem propostas concretas voltadas à proteção da produção nacional.
Entretanto, as principais preocupações levantadas pelos produtores está a concorrência com produtos importados que chegam ao mercado brasileiro por valores muito inferiores aos praticados internamente. Segundo eles, essa diferença de preços tem reduzido significativamente a competitividade da agricultura nacional, especialmente em culturas tradicionais da Serra Catarinense.
O tema envolve uma prática conhecida internacionalmente como dumping, caracterizada pela venda de produtos em mercados estrangeiros por preços inferiores aos praticados no país de origem ou, em alguns casos, abaixo dos próprios custos de produção. A Organização Mundial do Comércio (OMC) reconhece que os países podem adotar mecanismos legais de defesa comercial quando identificadas práticas que causem prejuízos à indústria ou à produção nacional, desde que observadas as normas internacionais aplicáveis.
Agricultores do Planalto Catarinense falam sobre prejuízos diante da oferta dos produtos importados
Na noite desta quinta-feira (16), a equipe da Rede Sul Brasil de TV Online conversou com agricultores catarinenses que atuam há décadas em atividades tradicionais da região, como a produção de cenoura, alho e outras hortaliças. Muitos relataram preocupação com o aumento da oferta de produtos importados vendidos a preços muito inferiores aos custos enfrentados pelos produtores brasileiros até o momento da colheita.
Segundo os relatos, quando esses alimentos chegam ao mercado nacional, acabam pressionando os preços pagos ao produtor rural. Em muitos casos, afirmam os agricultores, o valor de venda da produção brasileira não cobre sequer os custos de produção, inviabilizando margens mínimas de lucro e comprometendo a continuidade da atividade agrícola.
Os produtores também destacam que essa realidade tem afetado tanto a comercialização no mercado interno quanto as oportunidades de exportação, reduzindo a competitividade de diversos segmentos do agronegócio brasileiro.
Diante desse cenário, agricultores defendem que os governos ampliem políticas públicas voltadas à proteção da produção nacional, especialmente para pequenos, médios e grandes produtores que enfrentam crescente concorrência internacional.
Na avaliação dos entrevistados, o período eleitoral representa uma oportunidade para que o setor apresente suas demandas aos candidatos ao Legislativo estadual e federal, buscando representantes comprometidos com políticas de fortalecimento da agricultura, da segurança alimentar e da competitividade do agronegócio.
Durante as entrevistas realizadas no Planalto Serrano Catarinense, produtores relataram ainda que diversos agricultores já estão abandonando culturas tradicionais devido à baixa rentabilidade. Alguns afirmam ter migrado para a pecuária, enquanto outros deixaram a atividade rural em busca de oportunidades de trabalho nos centros urbanos.
Por fim, Para os agricultores ouvidos pela reportagem, caso o atual cenário permaneça sem mudanças, a tendência poderá ser de redução gradual da produção de algumas culturas tradicionais da região, com impactos econômicos e sociais para municípios cuja economia depende diretamente da agricultura.